Desde o e do , o download de aplicativos móveis () tem “bombado”. Em maio, a Apple comemorou o download de nada menos de 50 bilhões de aplicativos nos seus famosos dispositivos (ver , GigaOM, 15.may.2013).
Estes downloads são capitaneados pelas “lojas” de conteúdo digital () dos principais fabricantes de handsets. A Apple e o Google comandam estas “lojas” com a e a respectivamente. “Correndo atrás” daquelas duas, temos também a da Amazon Books (que também comercializa aplicativos para handsets Android). Estas são as três principais “lojas” de aplicações móveis. Este negócio movimentou mais de 30 BUS$ no ano passado (e dobrou de 2011 para 2012). Para conhecer mais desse movimento ver , Convergência Digital, 24.mai.2013.
O sucesso das “Lojas” de Aplicativos Móveis já é grande e vai ficar cada vez maior – dia após dia – com a massificação dossmartphones no mercado global (ver , Dailywireless, 26.apr.2013) e a oferta cada vez maior e variada de aplicativos móveis. Veja só que coisa interessante: ao final de junho, o número de aparelhos celular ficou igual ao número de habitantes na face da terra: , Dailywireless, 14.may.2013. Segundo o analista de indústria Juniper Research este ano teremos 80.000 milhões aplicações descarregadas em smartphones e tablets e em 2017 este número atingirá a “bagatela” de 160.000 milhões (ver , El País, 02.jul.2013). O movimento de descargas de aplicações é impressionante (ver , Mobile Time, 28.jun.2013).
Sem dúvida, o sucesso das “lojas” de aplicativos móveis é fato inquestionável!
Aplicações de Saúde
Segundo dados do analista de indústria Strategy Analytics de 2011, a quantidade de descargas das Aplicações Móveis de Saúde ficou em quarto lugar para as aplicações grátis e em segundo lugar das aplicações pagas (ver , GSMA & McKinsey, April 2012). As aplicações móveis de saúde têm um papel importante no cenário das “lojas” de aplicativos móveis.
O mundo das aplicações móveis (ou Mobile Apps) vai transformar a saúde nos próximos anos. Estima-se que cerca de 30% dos usuários de smartphones são propensos a usar aplicativos de wellness (bem-estar) em 2015, enquanto o smartphone e o tabletestão se tornando os desenvolvimentos tecnológicos mais populares para os médicos desde a invenção do estetoscópio (ver, Telenor & The Boston Consulting Group, April 2012).
Sem dúvida, as novas tecnologias de telefonia móvel vão facilitar o acesso a dados médicos dos pacientes. Os profissionais de saúde podem compartilhar informações de forma rápida e com grande difusão do conhecimento entre eles e seus pacientes. A utilidade das novas ferramentas móveis para a promoção da saúde já é uma realidade, no entanto, não é isenta de riscos. A confiabilidade da informação é uma questão que ainda está em aberto e cada vez mais preocupa a comunidade médica e o público. Recentemente, a Apple – após um questionamento específico da Agência FDA () dos EUA – resolveu rejeitar novas aplicações de saúde na sua que incluam dosagem de medicamentos (ver , iMedicalApps, 05.may.2013).
Um ponto que será muito importante para quem utiliza as aplicações móveis de saúde é a confiabilidade das mesmas através de processos de certificação formais. Uma das soluções mais plausíveis para assegurar a certificação das aplicações móveis de saúde é a criação de “selos de qualidade” que atestem a credibilidade e a qualidade do conteúdo médico de uma determinada aplicação, supervisionado pela administração pública e pelos próprios profissionais com competência médica.
As informações não confiáveis das aplicações móveis de saúde não são a única preocupação de médicos e usuários. As tecnologias móveis abriram a porta para a criação de aplicativos que podem ser facilmente instalados em um aparelho celular para diagnosticar, monitorar e tratar doenças. Elas fornecem mais que informações, pois prestam serviços! Um exemplo disso é um dosímetro, que indica ao paciente a dose que deve tomar de um determinado medicamento sem nenhuma prescrição médica.
No futuro, vamos chegar ao dia em que os médicos vão prescrever medicamentos e, também, aplicações móveis, garantindo para aqueles que as utilizem que elas sejam as mais indicadas. No momento atual, face ao boom das aplicações móveis relacionadas com a saúde e falta de regulamentação nesse sentido, o que impede distinguir aquelas fraudulentas daquelas que são realmente úteis, a responsabilidade do paciente é crucial.
Segundo especialistas médicos “é melhor não usá-las, a menos que você tenha certeza da sua confiabilidade, da mesma forma que não é recomendada a automedicação. Se uma aplicação móvel substitui um dispositivo médico, como um glicosímetro ou um eletrocardiograma, a aplicação móvel tem – por obrigação – que cumprir as mesmas regras que o dispositivo que ela substitui.”
O assunto de Certificação de Aplicações Móveis é extremamente novo – e importante – e a grande maioria dos países no mundo ainda não têm endereçado este assunto apesar o grande crescimento da oferta destas aplicações (ver , MobiHealth News, 14.mar.2013). A seguir vamos destacar o status e movimentação desse processo de Certificação em alguns países.
Estados Unidos
O boom das aplicações móveis na área de saúde tem preocupado a comunidade de inovação e investidores nos EUA (ver, GigaOM, 10.jul.2012). Em Julho de 2011, a FDA americana emitiu uma orientação preliminar (draft guidance) sobre a regulação de aplicações móveis médicas (ver , FDA, 21.jul.2011).
Mas desde esta época, os desenvolvedores de aplicações e empreendedores de saúde estão aguardando uma posição formal da Agência. Na ausência de clarificação legal sobre o tema, a comunidade envolvida diz que a ameaça de intervenção do Governo Federal e incerteza de mercado já estão travando a inovação e os investimentos nessa área.
A comunidade americana interessada no negócio de aplicações móveis de saúde não está parada esperando a FDA. Com o apoio de executivos de players importantes como a e a gigante de serviços de saúde , a comunidade acionou o Congresso Americano que organizou três sessões em março passado (nos dias 19, 20 e 21) para ouvir comunidade interessada. Aqui temos uma destas sessões: , Energy & Commerce Committee, United States House of Representatives, 19.mar.2013.
Espera-se que até o início de outubro, a FDA se manifeste formalmente sobre o tema. Para mais detalhes dos movimentos de regulação das aplicações móveis de saúde nos EUA ver: , GigaOM, 22.mar.2013. Nos EUA já existe uma instituição privada interessada na certificação de aplicações móveis médicas, de saúde e fitness (forma física). Esta é instituição chama-se que definiu um de aplicações móveis (ver , Huffington Post, 23.jul.2012).
Um outro tópico muito importante foi levantado recentemente nos EUA: a privacidade dos dados dos usuários das aplicações móveis de saúde. De acordo com um estudo recente da Califórnia (ver , Privacy Rights Clearinghouse, California, 15.jul.2013), a maioria das aplicações móveis de wellness (bem estar) têm problema de riscos de privacidade para os usuários.
O relatório – que avaliou 43 aplicações grátis e pagas – encontrou uma série de problemas relacionados com a ausência de políticas de privacidade e envio de informações nas redes sem a adequada criptografia e, também, transmitem dados dos usuários para terceiros (como empresas de publicidade, redes de publicidade e companhias de análise de dados) sem o conhecimento dos usuários (ver , GigaOM, 16.jul.2013 e , The New York Times, 12.jul.2013). Tá feia a coisa!
Estão postas nos EUA agora duas importantes questões pendentes de solução: (1) certificação das aplicações e (2) manutenção da privacidade dos dados dos usuários de aplicações móveis de saúde.
Espanha
Apesar das limitações, na Espanha, já existem vários projetos em andamento para certificar a qualidade da informação em saúde na Web. A Agência para a Qualidade de Saúde () de Andaluzia tem há quatro anos o seu próprio selo de qualidade () que garante que o site online de saúde atende aos requisitos básicos de confiabilidade. No caso particular de aplicações móveis, esta Agência evoluiu em outubro de 2012 para seu certificado de qualidade de aplicações móveis de saúde chamado que possui um representativo para certificar uma aplicação móvel. Sem dúvida, uma iniciativa precursora nos tempos atuais considerando oboom das aplicações móveis.
Em termos de certificação de saúde na Web, ainda temos em Barcelona a . Em seu site na Web pode-se consultar os sites online com informações de saúde confiáveis que este organismo certificou com seu selo de qualidade.
Atualmente o assunto de certificação tem uma situação ambígua na Espanha. A União Européia ainda não deixou claro se o assunto estaria sobre a sua responsabilidade. A também não se posicionou sobre o assunto. Na Espanha, frente a apatia do Ministério de Saúde espanhol sobre o tema, a Catalunha e Andaluzia (como vimos acima) já puseram suas “mãos a obra”.
A União Européia – até agora – apenas criou uma lista de aplicações para “facilitar a busca pelo paciente de apps seguras e de confiança” (ver European Directory of Health Apps 2012-2013).
Internacional
Existem organismos que certificam aplicações de saúde na Web: o , projeto financiado pela União Europeia e a, sistema de certificação mais utilizado nos Estados Unidos. Não temos notícias que estas duas instituições tenham algum trabalho relacionado com a certificação de aplicações móveis de saúde até agora.
A Associação GSMA de telefonia móvel já mostra preocupação com o tema de regulação na área de Mobile Health:
Futuro
Atualmente, ainda não existe um quadro claro de regulação e supervisão de aplicação móvel de saúde, de forma a assegurar um projeto de qualidade, as recomendações adequadas sobre a sua utilização e aplicação, e respeito pela privacidade e confidencialidade dos dados.
A quem interessa essa regulação: a fabricante de handsets e chips (Apple, Samsung, Qualcomm, Intel entre outros), a fornecedores de sistema operacionais (Apple e Google entre os principais), as operadoras de telefonia móvel, a desenvolvedores de aplicações móveis, e a investidores. Do lado do usuário, interessa a entidades de proteção ao consumidor, comunidade médica, Governos Federal e Estaduais, Ministério Público e finalmente a usuários e pacientes.
Existe ainda um grande caminho a ser percorrido nessa arena e, enquanto isso, cada vez teremos mais aplicações móveis disponíveis para os usuários. O que faremos? Pois é … muita coisa ainda precisa ser feita!No Brasil não temos nenhuma informação sobre a evolução desse tema … ainda!




